Seu filho tem um amigo imaginário? Saiba como agir

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Seu filho tem um amigo imaginário? Saiba como agir

Mas ele também pode ser um recurso para a criança testar seus limites. Por isso, não são raras as histórias de amigos imaginários que levam a culpa quando seu filho faz algo errado. Se isso acontecer, basta usar a brincadeira para ensinar limites para a criança – e seu colega invisível.

Embora não haja pré-requisito para usar desse artifício, um estudo de 2005 da Universidade de Lund, na Suécia, mostrou que as meninas têm 60% de chances de ter um amigo imaginário, enquanto os meninos têm 40%. Maria Ângela Barbato, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC-SP, explica que isso acontece porque, em geral, os meninos se relacionam com o imaginário de um modo diferente. “Eles gostam de se fingir de super-heróis. Já para elas, é mais fácil o personagem sair da imaginação para brincar.”

Um processo natural

Em geral, não há o que os pais possam temer. Uma das pesquisas apresentadas em janeiro deste ano no Congresso Anual da Sociedade Britânica de Psicologia Infantil mostrou que, para 88% dos 265 pais participantes, a presença do amigo imaginário na vida do filho não é um problema, pelo contrário, pode até ajudar no processo de desenvolvimento da criança. Propiciar mais momentos de diversão e ajudar na aceitação de limites foram citados por eles como os principais benefícios dessa amizade – desde que a fantasia não se sobreponha à realidade.

O momento do adeus

A hora do amigo invisível ir embora varia de criança para criança, mas, geralmente, esse abandono acontece perto dos 7 ou 8 anos. “De repente, ela percebe que ele não faz mais sentido porque já encontrou outros caminhos para lidar com a realidade. O que antes vinha do pensamento é transformado em sentimentos reais, próprios da maturidade emocional e cognitiva”, esclarece a psicóloga Luciene.

Para a psicóloga e psicanalista Diana Pancini de Sá, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), o sinal de alerta não tem a ver com o calendário. Em vez de você ficar preocupado porque o amigo não vai embora, o melhor é prestar atenção na intensidade da brincadeira. “Independentemente da idade do seu filho, o companheiro imaginário não pode afastá-lo de suas atividades rotineiras nem substituir a convivência com crianças reais.”

Se você desconfiar que essa interação passa dos limites, observe se o seu filho está se isolando, se não quer mais ir à escola, se está deixando de comer. Se ele não quiser largar o amigo de jeito nenhum, será preciso uma investigação mais aprofundada para descobrir o que há por trás dessa fuga da realidade. Em paralelo, os pais podem estimular o convívio dele com crianças de verdade. Vale fazer festas do pijama, passeios no parque e tudo que melhore o convívio social.

Na maioria dos casos, a companhia imaginária é uma fase de transição. E, enquanto ela não passa, é melhor que os pais tratem a situação com normalidade, sem dar castigo ou repreender a criança para que ela não fique insegura e recorra à mentira. Entrar na brincadeira e aceitar que, por aquele período, a sua família ganhou um novo membro é a melhor saída. Pedir desculpa ao amigo invisível por sentar em cima dele ou, depois do cinema, perguntar o que ele achou do filme são boas maneiras de mostrar à criança sua aceitação.

Só tome cuidado para não se apropriar dele. Por mais tentador que possa parecer, não diga coisas como: “Vá buscar seu amigo para dormir” ou “Ele vai ficar bravo se você não comer toda a comida”. A criança precisa ter plena ciência – e em geral ela tem – de que aquele ser vem da cabeça dela, e só. Se os pais reforçarem demais a presença dele, pode ser que o filho pare de encará-lo de forma natural e passe a usá-lo como algo para chamar a atenção dos adultos.

Para entender mais sobre o companheiro invisível

Um desenho
Mansão Foster para Amigos Imaginários (Cartoon Network, sem horário fixo) – O desenho conta a história de Mac, um menino de 8 anos que é obrigado pelos pais a abandonar Bloo, seu amigo imaginário. Para não desaparecer, ele muda-se para uma mansão onde vivem vários companheiros “invisíveis”.

Um livro
Memórias de Um Amigo Imaginário (Matthew Dicks, Id Editora) – O livro é narrado sob o ponto de vista de Budo, amigo imaginário do garoto autista Max. É uma história cheia de sensibilidade, essencialmente sobre o poder
de um amigo, seja ele real ou não.

Uma tirinha
Calvin e Haroldo – Criada em 1985, a série de tirinhas escritas e ilustradas pelo autor americano Bill Watterson é sucesso no mundo inteiro até os dias de hoje. As enrascadas que Calvin apronta para seu tigre de pelúcia imaginário e supersincero são a grande sacada das histórias.

Um filme
Uma Família em Apuros (2012, FOX Films) – Apesar de não ser o enredo central, você vai dar muitas risadas com as aventuras de Barker, 5 anos, e seu canguru imaginário. É uma boa oportunidade para entender esse momento de transição entre fantasia e realidade.

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