Crianças mais velhas usam menos tecnologia para aprender

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Crianças mais velhas usam menos tecnologia para aprender

Você observa seu filho jogar Angry Birds ou Fruit Ninja e pensa: será que ele está aprendendo alguma coisa? Tablets, celulares, computadores e televisores fazem parte do dia a dia das crianças, não dá para negar. É possível que elas treinem memória, lógica e até aumentem a velocidade de raciocínio por meio das telas. Mas, conforme crescem, o uso das tecnologias se torna menos educativo.

Essa foi a conclusão de um estudo organizado pelo laboratório Joan Ganz Cooney Center (EUA), com parceria do instituto de pesquisa GfK. Foram entrevistados 1.577 pais de crianças entre 2 e 10 anos. Eles contaram que, dos 2 aos 4 anos, 78% do tempo em frente a telas são dedicados a jogos e programas com fins educacionais. Já na faixa dos 8 aos 10 anos, a porcentagem cai para 27%.

Mas por que isso acontece? A explicação mais provável é a mudança de hábitos. Quando seu filho é bebê, é mais fácil controlar os programas e os jogos a que ele tem acesso. Ele ainda precisa da sua ajuda para usar essas tecnologias. Além disso, é normal que os interesses se modifiquem conforme a criança cresce. “As mais velhas não gostam de games com a lógica tão clara, como os que associam imagens ao texto. O objetivo precisa estar mais implícito”, explica Luciana Ruffo, psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI) da PUC-SP. Ou seja: elas trocam o jogo da memória por super-heróis, por exemplo.

Claro que seu filho pode (e deve) viver momentos de diversão que não necessariamente tragam algum aprendizado. Mas é importante que tenha acesso somente a programas e jogos apropriados para a idade dele. Em casa, você ainda pode tentar instalar dispositivos que bloqueiem o conteúdo adulto na televisão e no computador, por exemplo. Mas e quando ele for à casa de um amigo? A melhor opção é explicar por que determinado aplicativo só é adequado para pessoas mais velhas. O diálogo fará com que as crianças entendam que há o momento certo para cada atividade.

Saiba que não basta apenas selecionar brincadeiras educativas para o seu filho: ele precisa ter experiências reais, onde o aprendizado seja aplicado. “Os pais devem estimular esse tipo de vivência. Falar do passado é uma forma de colocar em prática o que foi treinado no jogo da memória”, exemplifica a psicóloga. Se a criança gosta de games de animais, combinem um passeio ao zoológico. Ela perceberá que sabe o nome de todos os bichos que já viu no tablet – e que vê-los de perto é muito mais legal.

Vale lembrar que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, não é indicado o uso de telas para crianças com menos de 2 anos e, acima desta idade, ele deve ser limitado a, no máximo, 2 horas por dia – incluindo TV, computador, videogames, celulares e tablets.

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