Como evitar que seu filho tenha medo do dentista?

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Como evitar que seu filho tenha medo do dentista?

Acredite: é possível que você eduque a criança e ajude-a a nunca temer o barulhinho do motor na cadeira do dentista. Tudo começa em casa: mesmo quando seu filho ainda é banguela, você pode introduzir as noções de saúde bucal a ele. Limpar a gengiva com gaze, por exemplo, já cria o ritual de higiene – e ele aprende que é algo natural, indolor. Depois, quando nasce o primeiro dente, uma escova colorida tornará o momento da limpeza divertido. Cantar uma música e até inventar uma história para contar ao seu filho podem fazer parte também.

E sabe por que isso tudo é importante? O modo como o assunto “dentista” for apresentado desde o começo da vida das crianças será fundamental para que não criem resistência ao assunto. Vale até levar seu filho com você a uma consulta, como acompanhante – junto com outro adulto, claro, para que fique de olho nele. Esse é o primeiro passo para a criança se familiarizar com o ambiente. Dessa forma, quando chegar a vez dela ser o paciente, não vai estranhar ter de ficar um tempinho deitado enquanto o dentista examina a sua boca. Outro ponto importante é não esperar o seu filho ter alguma dor nos dentes para agendar a primeira consulta. O ideal é que a visita ao profissional aconteça no primeiro ano de vida. “Os procedimentos serão só de prevenção. E o profissional vai orientar os pais sobre a importância dos hábitos saudáveis para evitar cáries”, explica Marcelo Bönecker, professor titular de odontopediatria da Universidade de São Paulo (SP). Quando for mais velho, a conversa será do médico com ele mesmo.

E mais: quando o bebê tem de 1 a 2 anos, seu círculo social é menor e inclui basicamente a família. “Nessa fase, a influência dos pais é maior. Ainda não há os amigos da escola para contar histórias negativas relacionadas ao dentista”, afirma Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo (SP). Ouvir algum relato de dor ou sofrimento pode deixar a criança com medo, antes mesmo de ela conhecer o consultório.

Isso vale também para você. Não basta explicar a seu filho como é importante e tranquilo ir ao dentista, se, mesmo sem querer, você costuma soltar frases como: “Vou desmarcar com o doutor hoje”, “Não quero nem ver quando eu entrar naquela sala” ou “Já sei que vou sentir dor!”. Não se iluda: a criança está escutando seus resmungos e absorverá esse sentimento de insegurança. Portanto, se os pais temem ir ao dentista, não devem manifestar esse medo perto dela. A abordagem positiva sobre o assunto precisa ser verdadeira. “A gente imagina que educa com o que fala. Mas as crianças aprendem pelo não verbal também”, explica Calegari.

No consultório

Tomando esses cuidados prévios, é hora de agendar a primeira consulta. Escolha um profissional competente e que esteja acostumado a atender crianças. Isso fará toda a diferença: o tempo reservado ao seu filho será maior, já prevendo a necessidade de uma abordagem mais cuidadosa e lenta. Outra característica essencial do profissional é que ele seja paciente e responda, sem pressa, às perguntas curiosas do seu filho. Diante de um cenário novo e com tantos detalhes, é natural que ele queira saber para que serve o algodão ou por que o profissional precisa se vestir de branco.

A relação que o especialista estabelecerá com a criança será de amizade e confiança. “Ele vai explicar que ajudará a prevenir bichinhos no dente e que ainda deixará o sorriso mais bonito”, diz Bruna Borges Stofella, cirurgiã-dentista do Hospital Pequeno Príncipe (PR). Ela conta que a técnica principal para conquistar a segurança do paciente é a brincadeira associada ao diálogo. A massa que colocará no dente é verde? Então ela diz que é do Ben 10, aquele personagem do desenho animado. E se, mesmo assim, a criança tiver medo ou não quiser abrir a boca? A música e a televisão podem ajudar a acalmar. Outra estratégia é usar um boneco como paciente (vale levar aquele preferido do seu filho): o dentista coloca o espelho diante do sorriso do brinquedo e mostra para a criança todos os procedimentos na boca dele. O dentista segue adaptando o vocabulário e explicando, de forma simples, o que será feito.

Se precisar usar o motor de baixa rotação, por exemplo, pode mostrar no dedo da criança como a máquina faz cócegas. Ela vai achar divertido sentir o dente tremendo após essa abordagem. Caso o procedimento seja mais complexo, o dentista pode fazer um pacto com o seu filho. Se ele sentir dor ou desconforto, deve erguer a mão, para que o especialista pergunte o que está acontecendo. E claro: jamais a palavra “dor” deve ser usada. O dentista dirá simplesmente: “Qualquer coisa, use o nosso código e eu paro o que estou fazendo”. Se mesmo diante de todos esses truques, a criança ainda apresentar medo de dentista, pode ser necessário procurar a ajuda de um psicólogo. Mas os especialistas garantem: só em situações extremas isso se faz preciso. Em geral, há sucesso na experiência.

Para garantir que dê tudo certo, é importante que você tenha a postura correta durante a consulta do seu filho. A presença de um responsável legal, além de obrigatória, ajuda a transmitir segurança à criança. No entanto, se você for ansioso ou inseguro, é melhor pedir para que seu companheiro seja o acompanhante. Mas atenção! Quem está no controle da situação é o dentista: você não pode interferir no andamento do trabalho dele. Combine previamente com o profissional e pergunte o que pode fazer: segurar a mão do seu filho, conversar sobre outros assuntos ou simplesmente ficar em silêncio.

E uma dica fundamental: nunca associe a consulta a castigo ou ameaça, por exemplo. Nada de dizer: “Se você não se acalmar, vou levá-lo para o consultório!”. Nem prometa algo previamente: “Caso você se comporte no dentista hoje, vai ganhar presente!”. Seu filho precisa entender que é uma experiência necessária, que só fará bem a ele. E ainda pode ser divertida!

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